terça-feira, 14 de julho de 2009

VOU TE LEVAR
Lobão

Pensar em tudo que se passou


Que se pôde sonhar e não realizou


A vida tentado escapar, mas não por agora


Ao mesmo tempo tanta coisa se amou


Se refez, se perdeu, se conquistou


Retratos estampados do nosso amor


Em preto e branco pregados na parede


Revelando pra sempre a gente


Nosso orgulho um do outro olhando pra lente


Como quem dissesse: "Não queremos mais nada nesse mundo"


E que me lembrasse a cada instante


Que valeu à pena cada lance


E que valerá, tenha certeza, pra toda a vida


Vou levar, vou te levar


Pra onde for, vou te levar

AINDA BEM

Vanessa da Mata


Ainda bem que você vive comigo

Porque senão, como seria esta vida?

Sei lá...

Sei lá...

Nos dias frios, em que nós estamos juntos

Nos abraçamos sob nosso conforto

De amar...

De amar...

Se há dores, tudo fica mais fácil

Seu rosto silencia e faz parar

As flores que me manda são fato

De nosso cuidado e entrega

Meus beijos sem os seus não dariam

Os dias chegariam sem paixão

Meu corpo sem o seu, uma parte

Seria o acaso e não sorte

Entre tantos outros, entre tantos séculos

Que sorte a nossa, hein?

Entre tantas paixões

Nosso encontro, nós dois, esse amor!

sábado, 20 de junho de 2009

AQUI EU TE AMO


Por Pablo Neruda



Aqui eu te amo.


Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.


Fosforece a lua sobre as águas errantes.


Andam dias iguais a perseguir-se.


Descinge-se a névoa em dançantes figuras.


Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.


Às vezes uma vela.


Altas, altas, estrelas.


Ou a cruz negra de um barco.


Só.


Às vezes amanheço, e minha alma está úmida.


Soa, ressoa o mar distante.


Isto é um porto.


Aqui eu te amo.


Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.


Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.


As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,


que correm pelo mar rumo a onde não chegam.


Já me creio esquecido como estas velha âncoras.


São mais tristes os portos ao atracar da tarde.


Cansa-se minha vida inutilmente faminta..


Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.


Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.


Mas a noite enche e começa a cantar-me.


A lua faz girar sua arruela de sonho.


Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.


E como eu te amo, os pinheiros no vento,


querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Catorze de Junho

Por José Saramago





Cerremos esta porta.


Devagar, devagar, as roupas caiam


Como de si mesmos se despiam deuses,


E nós o somos, por tão humanos sermos.


E quanto nos foi dado: nada.


Não digamos palavras, suspiremos apenas


Porque o tempo nos olha.


Alguém terá criado antes de ti o sol,


E a lua, e o cometa, o negro espaço,


As estrelas infinitas.


Se juntos, que faremos?


O mundo seja,


Como um barco no mar, ou pão na mesa,


Ou rumoroso leito.


Não se afastou o tempo.


Assiste e quer.


E já pergunta o seu olhar agudo


À primeira palavra que dizemos:


Tudo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Stairway To Heaven

Led Zeppelin

There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
And when she gets there she knows if the stores are all closed
With a word she can get what she came for
Woe,
And she's buying a stairway to heaven
There's a sign on the wall but she wants to be sure'
Cause you know sometimes words have two meanings
In the tree by the brook there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiven Woe,
And it makes me wonder
There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking
Woe,
And it makes me wonder
And it's whispered that soon, if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forest will echode with laughter
If there's a bustle in your hedgerow
Don't be alarmed nowIt's just a spring clean for the May
Queen Yes there are two paths you can go by
But in the long run
There's still time to change the road you're on
And it makes me wonder
Your head is humming and it won't go because you don't know
The piper's calling you to join him
Dear lady can't you hear the wind blow and did you know
Your stairway lies on the whispering wind
And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hardThe tune will come to you at last
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll
And she's buying a stairway to heaven

terça-feira, 2 de junho de 2009

João e Maria

Chico Buarque & Sivuca

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboy

Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque

E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz

E pela minha lei

A gente era obrigado a ser feliz

E você era a princesa que eu fiz coroar

E era tão linda de se admirar

Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo

Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão

A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal

Que o faz-de-conta terminasse assim

Pra lá deste quintal

Era uma noite que não tem mais fim

Pois você sumiu no mundo sem me avisar

E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

sábado, 30 de maio de 2009

A Rosa



Por Manuel Bandeira

A vista incerta,
Os ombros langues,
Pierrot aperta
As mãos exagues
De encontro ao peito.

Alguma cousa
O punge ali
Que ele não ousa
Lançar de si,
O pobre doido!

Uma sombria
Rosa escarlata
Em agonia
Faz que lhe bata
O coração...

Sangrenta rosa
Que evoca a louca,
A voluptosa
Volúvel boca
De sua amada...

Ah, com que mágoa,
Com que desgosto
Dois fios de água
Lavam-lhe o rosto
De faces lívidas!

Da veste branca
A larga túnica
Por fim arranca
A rosa púnica
Em um soluço.

E parecia,
Jogando ao chão
A flor sombria,
Que o coração
Ele arrancara!...